23 de abril de 2012

Todo dia é dia de indio.

Cumuruxatiba situa-se no sul da Bahia e, provavelmente muitos de vocês ouviram recentemente, notícias sobre as manifestações dos indios pataxó em relação a PEC215. Para nós a celebração do dia do indio ganha importância na medida que muitos de nossos estudantes são da etnia pataxó. Foi assim que, a partir da roda de conversações, foi  proposta a realização desta celebração. Decidimos pelo dia 18 ao invés do dia 19 de abril pois alguns de nossos estudantes passariam este dia em suas aldeias.

Do dia 11 ao dia 18 de abril tivemos uma semana de atividades voltadas para as culturas indígenas.

Fabiana, Talita, Hiena(estudantes) e Gilda(educadora), coordenaram as atividades.
Tivemos oficinas de confecção de artefatos indígenas como arcos, flechas e cocás. As crianças curtiram muito as atividades.
Primeiro fomos colher as varas de ‘biriba’ usadas na confecção dos arcos. Cada um pegou a sua vara, descascou, envergou e amarrou. Depois os arcos foram pintados e ficaram muito originais.
Para a confecção de cocás coletamos penas e sementes.  E aproveitando papelão cortamos tiras para servirem de base para estes cocás e também para os braceletes. E para as meninas, bustiês com palhas de bananeiras.
As crianças trouxeram tangas e outros artefatos  que tinham em casa. Também alguns livros muito ricos que nos auxiliaram muito em nossos estudos.
Durante essa semana aprendemos a falar e a responder ‘boa tarde’ na língua Patxohã-Pataxó.
Boa tarde diz Itchê niató e responde miriaú. Também aprendemos duas canções ensinadas por Hiena, da aldeia Barra Velha e por Fabiana.  Aprendemos as canções na língua nativa e o significado das palavras.
No penúltimo dia da semana preparamos receitas da culinária indígena. Fabiana e Talita foram na roça e desenterraram mandiocas elas mesmas. Trouxeram uma grande quantidade de mandioca de bicicleta e ainda carregando Xauana (a bebê de Fabiana).
Preparamos receitas da culinária indígena de acordo com a tradição pataxó utilizando o livro de receitas trazido pela Talita, que é uma india pataxó. Neste livro tinha uma receita de sua avó Jovita (esposa do cacique Timborana da aldeia Cahy). Fizemos  o Cauím, bolo de mandioca, beju de massa de mandioca assado na palha de bananeira, mungunzá, bolo de coco, de canela e suco de genipapo.
No último dia realizamos uma festa e convidamos os pais e toda a comunidade para a festa. Fizemos uma exposição dos objetos confeccionados e da literatura. Fizemos uma fogueira e preparamos uma pequena peça de teatro.
As músicas dos Pataxó ficaram tocando enquanto os convidados chegavam. Todo o espaço foi decorado com folhas de coqueiros e até fizemos um cartaz aonde escrevemos ‘Aldeia Vila Escola’. Também fizemos um cartaz falando sobre a PEC215 porque durante a semana também conversamos sobre as lutas dos indios.
A festa foi muito gostosa. Todos nos emocionamos com as apresentações do teatro com a Hiena cantando. As crianças cantaram e dançaram com muita vibração ao som do maracá, e curtiram muito a festa. O seu Zé Fragoso (cacique da aldeia Tibá) nos emocionou ao agradecer a festa dizendo que não esperava ver a cultura indígena valorizada dessa maneira. E, para nossa alegria, recitou um poema de sua autoria:
“Olho para o leste e vejo o mar com sua cor de anil.
Olho para o oeste e vejo o verde com sua pequena floresta.
E o malvado bicho homem, com toda a sua sabedoria, todo o nosso ouro ele levou.
O que será hoje de nossas  crianças sem os nossos rios e a nossa educação?”
No encontro seguinte quando conversamos  sobre as atividades percebemos como as crianças se identificaram com tudo, como foi importante para elas que são em sua maioraia da etnia pataxó e manifestaram o desejo de continuarmos estudando as culturas indígenas, o que faremos, é claro.
Nessa semana também contamos com a ajuda preciosa de pais e amigos como Lulu, Rodinê, Ricardo, Gil, Bené, Anderson, Dolores e vários outros que direta ou indiretamente nos ajudaram. Obrigada a todos! Valeu mesmo! ( em breve postaremos as fotos).

Nenhum comentário: