24 de maio de 2009

DEZEMBRO DE 2008

Dezembro de 2008, mês curto, pois as férias escolares estão à vista, no horizonte. A apreensão de muitas crianças quanto à aprovação ou não é palpável. As férias podem começar com tempo fechado, tempestades ou sol aberto.
No Projeto, mês de transformações: pintamos as paredes, portas e janelas; também trocamos duas janelas que estavam corroídas por cupins. Deixamos a casinha bem bonita para entregá-la, com a marca do nosso agradecimento, ao Daniel e Letícia. Ao mesmo tempo iniciamos a busca por um novo espaço. As idéias que predominam a este respeito são: (1) conseguir um lote, em regime de comodato, e ali construir uma estrutura circular, sem divisões internas mas protegida dos ventos. Neste espaço, comunitário e democrático, aconteceriam certas atividades – as internas -, enquanto que, no ao redor, ao ar livre, outras. A segunda idéia é (2) é tentar o aluguel de uma casa. Talvez esta seja a possibilidade mais prática e, até mesmo, mais econômica; porém, sem os encantos da primeira. Vamos a ver!
Outra circunstância marcante em dezembro foi a definição do grupo de 2009. Como referido no diário de novembro, estamos, desde outubro, discutindo, em roda, a necessidade de equilibrar a balança “número de educadores/número de meninos e meninas” no Projeto de Gente.
Pois bem, uma das meninas, a Sula, apresentou a única e difícil solução – fato também já relatado no diário de novembro. Cada participante do Projeto responderia a duas perguntas: “Quem eu gostaria de ter ao meu lado no Projeto 2009?” e/ou “Quem eu percebo são as pessoas que mais curtem o Projeto? Aquelas que estão mais envolvidas, mais ligadas ao dia a dia do Projeto”. Os critérios que Sula estava propondo eram, portanto, afinidade e interesse – dois muito bons critérios para a organização de um grupo.
Conversamos, conversamos, conversamos e... conversamos. No dia 13 foi feita a definição do grupo. Alguns estavam tensos, outros apenas se deram conta do que realmente significava tudo aquilo ao terem na sua frente a lista de cerca de 60 meninos e meninas. Destes apenas 30 estariam juntos em 2009. Difícil, muito difícil! Seria mesmo este o melhor mecanismo para se lidar com a questão?
Conforme decidido por todos, o voto poderia ser secreto ou não – decisão de cada um. Alguns se retiraram para um cantinho; outros resolveram se apoiar mutuamente e o grupo foi definido. De fato sabemos que ainda será preciso um reajuste, pois, pelo menos, duas crianças que estão na lista não estarão em Cumuruxatiba no ano que vem.
Naquela noite um dos educadores do Projeto conversou com um velho sábio e lhe perguntou o que significava tudo aquilo. Ele respondeu: “É um ponto de transição, uma encruzilhada com o sol levantando-se ao fundo. Trata-se de um movimento renovador, uma energia construtiva que surge, porém ainda em broto. Representa também um movimento de cuidado com a raiz, um movimento de proteção que deve ser paciente e suave, pois esta é a única maneira de garantir seu crescimento, neste momento de fragilidade. Trata-se de uma dinâmica de desenvolvimento interno, sutil, uma pequena faísca que, mesmo tênue, deixa um lastro indelével, o despertar de um embrião luminoso e silencioso. Um aprendizado e desenvolvimento em direção à meta almejada e ainda distante”.
Para fechar: o Luiz e a Milena, da Pousada Rio do Peixe, nos apresentou uma linda idéia. Eles vão propor a seus hóspedes do verão de 2009 que acrescentem 1% ao valor total de suas diárias. Este 1% será destinado ao Projeto de Gente. Eles também sugeriram que procurássemos outros pousadeiros para saber se gostariam de entrar nesta onda. Luiz e Milena são, de fato, grandes amigos do Projeto de Gente. Seis outros aceitaram a sugestão. Obrigado, amigos!
E até 2009!

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